Eu te sinto,
Pressinto,
Dentro de mim,
Como uma angústia que não economiza ao me atormentar,
Rodopio,
Balbucio
E regurgito...
Escarro - te para fora de mim,
Em vão,
Tu voltas,
Me desassossega,
Como um caroço de pêssego preso à minha garganta.
Ao te engolir,
Transforma - te então,
Num nódulo,
um câncer que se associa às minhas entranhas.
Me partem,
Repartem,
Me esquartejam.
Mais uma vez te afastam de mim,
Eu sinto como se tudo fosse bom outra vez,
Mas incansavelmente,
Tu retornas,
De sobressalto me assusta,
Apesar de já estar esperando pela tua volta,
Cada vez que reapareces,
Assusta - me.
Queria beber - te,
Até tudo girar,
Até perder os pés do chão,
Até te vomitar em qualquer canto escuro.
Contudo você voltaria,
Você viveria.
És uma praga,
Uma doença,
Uma dor desnecessária.
Entretanto,
Lamentar não irá te afugentar,
Só te fará crescer,
crescer e cada vez mais crescer.
Usarei de novos métodos,
Novas técnicas.
Terei novos amores,
Diferentes sabores,
Me embriagarei de diversas formas,
Procurarei por todas as noites,
Até enfim encontrar,
Nos olhos do meu inimigo,
O doce ardor de livrar - me de ti,
De encontrar um desconforto maior que você.
E então me livrar de ti,
Como alguém que troca suas roupas durante o dia.
E as descarta,
Nova rodada.
Tu não serás mais problema meu,
Terei um problema maior,
Não me contento com nódulos,
Quando posso ter úlceras!
sábado, 26 de outubro de 2013
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