quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sem parar para pensar
chocaram - se estáticos
ao levantar depararam - se
com um mundo monocromático
um olhar de adeus
uma sombra, um até logo
sintético amor comprimido
misturado à bebida,
seu copo marcado com batom
não pare de dançar imóvel
cada instante, "relógico"
seu corpo trepidante
sua mente bucólica
O salto alcoólico, no seu olho
ímpio, naufrago
suas palavras cônicas
suprimindo seus desejos cômicos
enfim caiu trêmula
nos braços como algemas
de um alguém sôfrego
maltrapilho amável
a quem entregou - se dócil... (ainda não tem final)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E Só


Poderia ser meu eu sendo você,
Meu você em mim,
Meu amor dormindo ao meu lado,
Tua voz meu calor,
Juntos comigo você e eu,
Seriamos dois ou um as vezes,
Sempre quando viesse,
Por onde eu seguiria,
Surgiria sem que visse,
Um beijo seu em nós,
Um nós que seria você no meu eu em mim,
Largaria do meu próprio eu,
Abraçaria meu você,
Quando seria meu nós,
Seu eu em você,
Juntos sem um plural,
Você e eu,
Nosso singular,
Eu e você e só.

sábado, 12 de junho de 2010

Pequena Insensatez

Não olhe para os meus olhos,
Eles cheios de ódio...
Dirão o que não queres saber.
Não escute minha voz,
Só o que falo...
São palavras cuspidas sem sentido.
Não toque em mim,
Minha pele é fria,
A morte levou meu espírito...
E deixou este corpo mórbido,
E um único sentimento
Insensato e impossível...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cada suspiro

Um refúgio no alto
Um passo em falso
Escondi - me no ódio
Mantive - me sóbrio
Os cabelos da morte entrancei
Junto com a indiferença morei
O tempo passou
E aqui ainda estou
Porém agora de olhos abertos
Todos os movimentos certos
Cada suspiro contado
Um segredo jamais revelado
Uma vida intrépida
De uma pessoa decrépita
Que sonhou,
Que amou,
Que viveu e morreu.

domingo, 28 de março de 2010

Palavras soltas.

Palavras soltas formam tudo o que você pensa.
Cansei desse sistema que dita regras que eu não estou nenhum pouco interessado em seguir.
Estou farto dessa sociedade que só tem conceitos, preconceitos e nem sequer uma opinião formada.
Uma sociedade falida, medíocre e estúpida que não dá o direito de uma pessoa expressar - se livremente sem ser esmagada por sua elite avassaladora, inconsequente e sem um pingo de bom senso em suas cabeças repletas de pura alienação ridícula.

Um desabafo não mata ninguém, não muda ninguém, apenas faz com que as pessoas pensem um pouco!

sábado, 27 de março de 2010

Sentido Só


Sentir - se só, quando ninguém esta mais ai para você.
E você quer chorar, mas por vergonha de seu próprio rosto no espelho as lágrimas se recusam a rolar,
Você pensa em tudo o que já aconteceu, e incansavelmente se pergunta os motivos, procurando por respostas,
E elas parecem fugir à medida que você as procura.
Sem ninguém a sua volta, tudo se torna cinza, morto e inato.
Nem seu corpo parece ser seu.
A dor esta toda em sua mente, e como você a mantém ocupada, um corpo mutilado parece ser tão normal quanto palavras sem sentido em um pedaço de papel.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Reinado de Palha

Por querer,
Há um grande poder.
Sem querer,
Podemos ver...
Sufocando desejos,
Engolindo palavras,
Gestos discretos.
Maciçamente...
Tudo que há em torno gira,
Parando em lugares diferentes.
Mostrando a química,
A física do fazer acreditar.
Prostrando nações,
Aos pés de uma só pessoa.
Inibindo atos,
Forçando outros,
Calando a verdade...
Instituindo a sua própria verdade.
Um policromatismo,
Estampado nas várias faces do rei,
Que decai...
Levando consigo o seu trono.

Desenhos utópicos.


E quando tudo estava em paz...
Você apareceu.
Bagunçou tudo o que eu acabara de organizar,
Levou gregos à troianos.
Incitou uma guerra sem precedentes,
Mas também me mostrou que a vida...
Não é feita somente de dois simples lados.
Você massacra – me com palavras,
Destroça – me com suas perguntas,
E suas insinuações, ah, as suas insinuações...
Sangro detendo – me a ações evasivas,
Temo estar devaneando, ‘utopiando’ talvez.
Não insista, não sei se suporto...
Não avance, não vou mais regredir.
Traço uma linha imaginária para não me machucar,
Escolho palavras para não relembrar.
Tanto esforça de nada adianta.
Sem querer me pego pensando em você...
Moldando seu rosto no ar,
Desenhando suas expressões.
Saia da minha cabeça,
Materialize – se em minha frente.
Não se vá, não vou mais fugir...
Agora eu te quero.

Maquiagem da morte


A escuridão disfarça as lágrimas,
Que despencam de meus olhos.
A velha maquiada me espera
Ao final do caminho de crânios
Vejo corpos pendurados nas velhas arvores
E elas me dizem...
É apenas um jogo
O cheiro do sangue desperta meus sentidos
Ouço os latidos e uivos distantes
E eles se aproximam cada vez mais
Já não distingo medo de raiva
Meu interior transforma – se em uma grande mistura
Agarro meu destino com fervor e instiga
Olhos abertos, ouvidos alertas e olfato atento
Ela reaparece, com sua maquiagem branca
E fala sobre a terra e o seu sangue ruim
Somente o que posso fazer é exalar grunhidos
E como uma espécie de ignispício
Ela traduz tudo o que eu tento dizer
Como era de se esperar
Ela arranca meu crânio,
Devora meu cérebro, drena minha vida
Os restos são atirados aos cães e lobos
A senhora da maquiagem branca...
O caminho de crânios,
As velhas arvores...
A minha vida,
A minha morte...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Inexistente



É tudo o que eu preciso
Não é nada do que eu tenho
E eu só quero ficar sozinho
Mas só tenho pessoas, pessoas e pessoas ao meu redor
Nenhum silêncio sequer passa por aqui
Meus ouvidos zunem com palavras
Que procedem sem sentido de lugar nenhum
Passos dados incertos no escuro desconhecido
Rasgam meu corpo com o medo
Insere – se algo platônico
Algo adormecido dentro de mim
Agora acorda e com voracidade incrível
Minha covardia me frustra
Repreende meus sentimentos
Estapeia – me lançando em meu rosto
O quão fraco eu posso ser
Cordialmente calo meus sentidos
Ouço inebriante voz no fim do túnel
Hoje quis sentir ódio
Sufocar – me em pensamentos raivosos
Mas seu rosto pairou sobre meus olhos
E por toda treva, você se instaurou
O sentimento ecoa relutante
Emerge do mais profundo de meu ser
Na perfeição ele se desenha
Molda – se aos seus contornos
Dispo meu cérebro de todas as outras coisas
Só o que sobra é seu rosto, seu corpo, seu cheiro, seu sorriso, seus olhares, seus movimentos...
O resultado é você banhada num sentimento puro
O acabamento feito com toda beleza existente.
Tudo que tinha usei,
Todas as formas tentei
A que pude recorri
Fiz o que fiz para simplesmente...
Decifrar a mim mesmo.
Como pude encontrar – te, e num simples olhar
Apaixonar – me tão enlouquecidamente.
Vejo você, desejo você...
Porém não posso te – la , ou sequer toca – la.
Num pedestal, vejo – te como um totem intocável
Objeto de desejo de meus sonhos
Que são... ...Apenas sonhos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O contador de histórias



Parado em frente a um caixão,
Na sala de estar.
Somente o que há é silêncio.
Da cozinha...
Um grito estridente,
Que racha as paredes,
E atravessa toda a casa.
Uma voz ecoa do vácuo da escada,
_”As janelas estão abertas”_
Uma forte ventania invade,
Porém nada sai do lugar.
Novamente instaura – se a quietude.
Só então é possível ouvir...
Ouvir o rascunhar do lápis no papel,
Os risos de uma mente louca...
Loucamente criando histórias...
Historiando sobre mundos inexistentes...
Inexisteando sua própria existência.
Saudando, venerando, vivendo e por fim morrendo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Passagem.



Meu medo de tentar,
Me torna fraco.
Minha voz some,
Meu olhar se fixa no vazio.
Nada se move,
Sequer meu coração palpita,
Não mais respiro...
Um grito quebra meu silêncio.
A porta da frente está aberta,
A morte invade minha casa,
Arremessando e destruindo tudo...
Vindo em minha direção.
Posso senti - la próxima...
Não consigo fugir,
Não quero fugir.
Parada em minha frente,
Tudo novamente cai em profundo silêncio...
Abandono a calmaria com um olhar irônico,
Levanto - me do chão,
Deixo para trás minha postura mórbida.
Prostro - me perante a tal malevolente criatura,
Imponente digo "eu estou pronto!"
Atravessando paredes, mundos e vidas
Posso ver criaturas, formas, palavras e imagens...
Vejo tudo, nada me vê,
Sinto tudo o que existe...
Agora eu estou em tudo e em todos,
Talvez tal passagem não seja ruim.
Talvez tudo seja uma questão de aceitar...
O mundo pode ser apenas um equivoco,
Um pequeno erro sem perdão...
Um grande caso sem solução.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A Cor e a Dor


"Talvez teu rosto seja apenas um devaneio,
Sobressalto de minha mente mórbida,
Que sonha fantasias sórdidas,
Sopra em meus ouvidos palavras insensatas,
E eu as procedo intactas,
Causando grande alvoroço,
Tirando de minha boca o gosto,
De meu olhar a cor,
De seu coração a dor,
Criando entre nós um grande amor."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Partida Perdida



É um jogo.
E eu dou as cartas.
Este é o meu jogo de sorte,
e o seu jogo de azar.
As cartas estão sobre a mesa,
lance os dados.
O jogo começou,
você é sua aposta.
Vamos pegue suas cartas,
levante - as devagar.
Quem sabe você dá sorte,
e tira seu as de copas,
ou eu tiro você do jogo.
A sorte é minha companheira,
o blefe é meu soldado.
O jogo acabou para você,
e eu...
Eu novamente venci.
É o que eu te disse,
este é meu jogo e eu nunca perco.